Falar sobre relações. Percorrer relações e cultivar relações inteligentes em todas as partes da nossa vida, quer profissional quer pessoal.
Creio que no mundo em que estamos a caminhar, nos tornamos fluentes nos mais diversos tipos de relações. Cada vez mais nos ligamos com palavras. Mas será que o estamos a fazer da melhor forma? Como podemos comunicar de forma mais inteligente e eficaz?
Estou habituada a lidar com sistemas polarizados, relações conflituosas, quer a nível profissional quer a nível pessoal. Onde? Na vida. Dou formação há 20 anos, e por onde passo há sempre um lugar onde se espera que se ensine o limite. Esse é o desafio, onde começa e onde termina o limite de cada um. Colocar limites sem colocar rótulos não é simples. É um exercício constante de atenção.
Parece-me fácil perceber que existe uma diferença entre o currículo fantástico e o conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida. Certo? Estudos prolongados sobre o homem ao longo de várias décadas de vida demonstraram que o seu melhor feito foram as relações que estabeleceram. As relações foram as marcas mais importantes para o seu bem-estar, para a sua saúde, para a sua felicidade e para a sua concretização e sentido de vida. Talvez por isso não me parece de todo descabido dizer que o mais intrigante da vida são as relações humanas.
E falando de relações
Está numa relação?
Gostaria de estar numa relação?
Gostaria, de vez em quando, sair dessa relação?
Já teve relações difíceis, mesmo no trabalho?
Já pensou que o problema era dos outros?
Já pensou que o problema era consigo? E já pensou que o problema era de ambas as partes?
Uma relação não tem que ver com as pessoas mas sim com o que acontece entre duas pessoas. É essa dinâmica que deve ser explorada.
Existe neste momento uma série de coisas muito importantes que acontecerem nas relações. Cada vez mais tudo acontece de uma forma mais rápida. Ao longo da minha vida, analisar as minhas relações mais íntimas e daqueles que me rodeavam, não só no campo pessoal mas também profissional, fez-me perceber o que funcionava e o que não funcionava, fazendo-me alterar o meu comportamento. E durante este tempo fui entendendo o que era a inteligência emocional dentro desse contexto.
Creio que tem havido dois tipos de revolução ao nível das relações: uma está a acontecer nas nossas casas, outra está acontecer nos nossos trabalhos. Mas ambas têm isto em comum: antes a nossa identidade era algo que nos era dada, em algumas partes do mundo ainda isso acontece, sabíamos onde pertencíamos, quais as nossas raízes e para onde é que nos dirigíamos; as regras eram claras, toda a gente tinha os seus papéis bem definidos. Os pais sabiam como falar com os filhos, os filhos sabiam como falar com os pais e o que poderiam esperar deles, os maridos sabiam falar com as mulheres e as mulheres sabiam que dizer aos maridos. Eram as regras, eram as obrigações, era o compromisso. Era claro. Era certo. Era evidente para todos. A grande maioria de nós perdeu essa identidade e aquilo que antigamente nos era dado temos hoje que descobrir e isso nunca ninguém nos ensinou, não se aprende nos livros e muito menos numa escola, onde as hard-silks engoliram todos os conteúdos que podiam ser úteis para trilhar esse caminho.
